07/02/2012 - Mudanças Climáticas
07/02/2012
Pesquisadores alemães afirmam que o declínio na presença de
gelo no Mar do Norte pode estar alterando os padrões climáticos do continente e
resultando nas baixas temperaturas e nevascas que já causaram a morte de mais
de 300 pessoas
Afinal, que aquecimento global é esse que resulta em dezenas
de centímetros de neve amontoada em cidades que não viam nada parecido há mais
de 20 anos? Este é o tipo de pergunta que vem surgindo na imprensa europeia nos
últimos dias e já resultou em acalorados debates. Porém, a resposta pode estar
em um novo estudo apresentado por cientistas alemães que aponta que todo esse
frio é na realidade um sintoma das mudanças climáticas que estão se tornando
cada vez mais visíveis na vida das pessoas.
Segundo os pesquisadores da Unidade de Pesquisas de Potsdam
do Instituto Alfred Wegener para Pesquisa Marinha e Polar, a queda das
temperaturas na Europa está ligada ao degelo do Ártico.
De acordo com os cientistas, o grande degelo nos últimos
verões está resultando em um oceano mais quente e que não consegue evitar que o
calor retorne para a atmosfera. Assim, o ar sobre o oceano se aquece,
principalmente entre o outono e o inverno, levando a novos padrões
atmosféricos.
Uma das consequências desse fenômeno aparece quando a
diferença de pressão entre a região continental e o Mar do Norte fica grande o
suficiente para gerar ventos úmidos que sopram com força na direção dos países
europeus, trazendo grandes nevascas. Seria isto que estaria ocorrendo nas últimas
semanas.
“As altas temperaturas que causam o degelo podem facilmente
ser comprovadas pelo monitoramento constante que fazemos do Ártico. Analisamos
ainda processos complexos por trás das nevascas e chegamos a dados que mostram
que o degelo influencia os padrões de pressão de ar e, por consequência, a
circulação de ventos”, afirmou Ralf Jaiser, principal autor da pesquisa.
A atual frente fria, com temperaturas de até -32°C, já
vitimou mais de 300 pessoas e está provocando o caos nos transportes por toda a
Europa. As previsões afirmam que a situação deve melhorar um pouco no decorrer
dos próximos dias.
Muitos meteorologistas estão responsabilizando um sistema de
alta pressão que está empurrando o ar gelado da Sibéria para o resto do
continente.
“Diversos fatores possuem naturalmente um papel no complexo
sistema do clima. No entanto, nossa pesquisa demonstra como as mudanças
regionais na cobertura de gelo do Ártico são um ator importante nesse sistema”,
explicou Jaiser.
A presença de gelo no Mar do Norte caiu 20% nas últimas três
décadas de acordo com o monitoramento do Instituto Postdam e a tendência é uma
taxa de derretimento ainda mais veloz nos próximos anos.
Cientistas norte-americanos afirmaram em novembro, em um
estudo publicado na revista Nature, que o nível de degelo atual, 8,6% por
década, é o maior em mais de um milênio.
Portanto, ao contrario do que se poderia pensar, a situação
da Europa está mais para uma prova do aquecimento global do que para a negação
do fenômeno.
“Severos invernos recentes, como o do ano passado ou o de
2005-2006, não contradizem o aquecimento global. Na realidade dão mais apoio
para as previsões que temos das mudanças climáticas. Vale alertar que o
crescente degelo pode triplicar a probabilidade de invernos extremos na Europa
e no norte da Ásia”, destacou Vladimir Petoukhov, físico do Instituto Postdam.
Fonte: www.tratamentodeagua.com.br

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